Escola de samba: a árvore que esqueceu a raiz (1978) – Candeia e Isnard

O Negro

A presença inconfundível do negro, com efeito, invade todos os setores da nossa vida social. Mas mesmo assim, sua luta continua por sobrepujar o desprezo da cor.

O negro é tão importante na vida nacional que a parte da população brasileira que descende de escravos é, pelo menos, tão numerosa como a parte que descende exclusivamente de senhores; a raça negra nos deu um povo. O que existe até hoje sobre o vasto território que se chama bra$il foi levantado ou cultivado por aquela raça; ela construiu o nosso país.

PAI JOÃO
CIRO COSTA

Do taquaral à sombra, em solitária furna,
(para onde, com tristeza, o olhar, curioso, alongo),
sonha o negro, talvez, na solidão noturna,
com os límpidos areais das solidões do Congo…

Ouve-lhe a noite a voz nostálgica e soturna,
num suspiro de amor, num murmurejo longo…
E o rouco, surdo som, zumbindo na cafurna,
é o urucungo a gemer na cadência do jongo…

Bendito sejas tu, a quem, certo, devemos
a grandeza real de tudo quanto temos!
Sonha em paz! Sê feliz! E que eu fique de joelhos,

sob o fúlgido céu, a relembrar, magoado,
que os frutos do café são glóbulos vermelhos
do sangue que escorreu do negro escravizado!

Abolição de fachada

Ninguém pensou na abolição em termos sérios. Ninguém pensou no futuro do negro, ninguém pensou no futuro da agricultura, de que o negro era o sustentáculo. Ninguém pensou, sequer, utilizar a própria experiência do negro durante a escravidão, o fato de que ele tinha sido negro de aluguel, e em seguida negro de ganho, quer dizer, quando o negro já tinha uma experiência particular própria, embora escravo, mas uma experiência capaz de servir a alguma coisa, para que os homens públicos do bra$il aprendessem alguma coisa com eles. A única tentativa de utilização do braço escravo a vida bra$ileira, partiu de José Bonifácio.

Na realidade não se pensou no problema do negro, não se utilizou das habilidades que a própria escravidão tinha desenvolvido no negro, criando padeiros, colcheiros, seleiros etc, necessárias a economia da grande propriedade. Não se utilizou a experiência urbana do negro, a capacidade do negro de aprender coisas de se preparar para servir aqui e acolá, de começar a trabalhar como operário, industrial, operário urbano. Não se utilizou a capacidade de se valer dos próprios recursos para libertando-se de certo modo do senhor que lhe pagava por semana uma quantia qualquer, viver por si, criar grandes coisas, como, por exemplo, as alfaiatarias do Rio de Janeiro.

“Negro”
Raul Bopp

Pesa em teu sangue a voz de ignoradas origens.

As florestas guardaram na sombra o segredo da tua história.

A tua primeira inscrição em baixo relevo foi uma chicotada no lombo.

E ninguém utilizou, ninguém pensou nisso. No decreto de abolição, lemos apenas isso: “Fica abolida, de hoje em diante a escravidão no bra$il”.

O negro ou caiu para a criminalidade (abandonado porque não tinha outra coisa para fazer, ficando pelas estradas vadiando e assaltando as propriedades) ou voltava a trabalhar naqueles lugares que tinha abandonado, submetendo-se a um regime de trabalho que só não era escravidão porque legalmente estava abolida, mas na verdade era o mesmo sistema de trabalho de mais de dez horas de serviço, de dependência completa do amo.

O importante é deixar claro que o trabalho escravo era consequência de um sistema econômico colonialista, origem de uma serie de implicações negativas que vêm até nossos dias.

Os poderes públicos atiraram os ex-escravos a extinção pela fome, a doença, o desemprego, a miséria mais completa. Não só as classes dirigentes mas toda a sociedade bra$ileira fechou as possibilidades de sobrevivência, com oportunidades de vida digna e decente.

Criaram-se “slogans” sobre igualdade e democracia racial apresentando nosso país como modelo de convivência racial, mantendo o negro enganado e domesticado.

Os bra$ileiros fortemente pigmentados de escuro somam cerca de trinta milhões. Certos apóstolos da miscigenação pregam a rápida extinção do negro. E assim estaria automaticamente resolvido o problema.

A parte branca, ou menos negra, continuará monopolizando o poder político, o poder econômico, o privilégio da instrução e do bem-estar, alheia as imposições da famigerada lei áurea – Leia da magia branca, na correta definição de Antonio Callado. Sob a Lei da magia branca, o negro é igual a qualquer outro bra$ileiro. Na pratica, sem magia branca ou negra – negro é apenas isto: o infame pela raça consignado no estatuto colonial.

Vejam por exemplo a ausência total do negro nas univer$idades. Não existem no bra$il negros, bra$ileiros de cor na carreira diplomática, marechais, $enadores e deputados negros, banqueiros negros, industriais. Não há ministros de e$tado negros num país de trinta a quarenta milhões de cidadãos de cor. Não existe uma estátua em louvor ao negro bra$ileiro.

As exceções, os mulatos disfarçados de branco, não são exemplos válidos. O núcleo da mistificação se situa no ato de valorizar vitórias individuais e isoladas, que são tomadas como prova de ascensão do grupo negro. Espanta que os que aceitam estes processos de massificação não percebem a ausência do negro nas univer$idades ou nos campos de alto nível técnico e profissional.

Em verdade estas generalizações não são mais do que recursos ideológicos mascarando uma liberalidade que no passado a escravidão negava e que no presente o cotidiano desmente.

Onde estão os negros? Ora estão por ai no emprego humilde ou no desemprego. Prisioneiros do analfabetismo, da miséria, da doença, do crime. Do crime de ser negro. Do crime de ter construído um país para outros.

“Hoje em meu sangue a América se nutre:

– Condor, que se transformara-se em abutre,

ave da escravidão.

Ela juntou-se a mais… irmã traidora!

Qual de José os vis irmãos, outrora,

venderam seu irmão!

Trecho de “Vozes D’Africa” – Castro Alves

Assumir sua condição de cor, eis o primeiro passo. O negro precisa exercer uma ação transformadora sobre a realidade imediata que o cerceia, humilha e secundariza. Seu papel não se esgota e muito menos se subordina a uma mera tomada de posição de classe operária.

Ao negro cumpre organizar-se, isento de ódio ou ressentimento, porém, firme e inarredável do justo lugar a que tem direito, deve o negro criar suas forças de pressão, seus instrumentos de ação direta.

Somente organizado e em força dinâmica, atuante, conseguirá o negro obter igualdade de oportunidade a um status de vida superior – economicamente e socialmente – não só para a gente negra mas para todo o povo bra$ileiro.

Naturalmente tudo que contraria o “status quo”, apresenta riscos. Mas correndo todos os riscos está o negro desde o instante do seu nascimento.

Não temam pois os negros a incompreensão de uns, a calunia de muitos.

Não temam “pecha’ de racista negro, pois é outra tática de intimidação e imobilização. Basta-nos a integridade de nossa consciência de democratas e de humanistas.

Impõe-se a participação do negro em todos os graus do poder, se se quer realmente alcançar uma sociedade justa num mundo de paz.

Trabalho: Isnard e Candeia

Leitura:
https://issuu.com/marcelooreilly/docs/livro-escoladesamba-arvorequeesqueceuaraiz

O QUE É SUBCULTURA & CONTRACULTURA

O QUE É SUBCULTURA?
O conceito é utilizado para fazer referência a um grupo de pessoas, geralmente minoritário, com um conjunto de características próprias (comportamentos e crenças),
que representa uma subdivisão dentro de uma cultura dominante da sua comunidade.
Pode-se dizer que a subcultura é um grupo diferenciado dentro de uma cultura.
Os seus membros podem reunir-se por diversos motivos, como a idade, a etnia, a identidade sexual, os gostos musicais ou a estética, entre outros.
É comum uma subcultura definir-se a si mesma por oposição à cultura dominante. Há ocasiões, no entanto, em que essa oposição não é radical.
Os membros de uma subcultura tendem a compartilhar uma aparência similar que os identifica, podendo ser um determinado penteado
ou ainda a cor da roupa. No seio de uma subcultura é hábito falar-se um dialeto particular ou usar termos pouco frequentes noutros grupos.
A aparição de uma subcultura fica estabelecida pela existência de símbolos compartilhados.
Isto diferencia os simples grupos de pessoas que se reúnem por gostos comuns das subculturas, onde existe um interacionismo simbólico.

O QUE É CONTRACULTURA?
Projeto alternativo ao padrão cultural dominante que defendem um padrão cultural diferente,
movimentos sociais ou correntes intelectuais que são caracterizadas por sua oposição radical à cultura dominante
Ao contrário da subcultura, a contracultura rejeita as normas e os valores existentes na sociedade.
Expressam suas preocupações sobre os valores culturais convencionais e, por este motivo, se fala da contracultura.
O ideal de liberdade é predominante neste tipo de corrente.
A maioria das manifestações contraculturais incorporam vários elementos: uma estética determinada, um tipo de música e um modelo de vida alternativo.
Desprendimento às convenções e o desenvolvimento de todo um mundo alternativo ao que é oferecido pelo sempre tão criticado “sistema”.
Teor social, artístico, filosófico e cultural, e se posiciona contra valores disseminados pela indústria e o mercado cultural.
Com respeito ao conceito de contracultura, não podemos simplesmente pensar que ele vá simplesmente definir a existência de uma cultura única e original.
As manifestações de traço contracultural têm a importante função de revisar os valores absorvidos em nosso cotidiano e,
dessa forma, indicar novos caminhos pelo qual x ser humano trilha suas opções. Assim, é necessário sempre afirmar que contracultura também é cultura!
A cultura desse “movimento” está relacionada com a cultura marginal, alternativa e underground e recebe esse nome por se posicionar contra a cultura dominante, a cultura erudita.

Alguns contra valores:
Inconformismo social
Valorização de uma relação harmônica com a natureza;
Vida comunitária;
Luta pela paz (contra as guerras, conflitos e repressão);
vegetarianismo: busca de uma alimentação natural;
Respeito às minorias raciais e culturais;
Contra os valores capitalistas impostos
Contra o conservadorismo
Igualdade/Equidade
Anti-modismos
Amor livre
Anti-hierarquias
Descentralização política
Faça você mesmo
Trocas/escambos

Movimentos relacionados com a contracultura:
Movimento Beatniks
Movimento Hippie
Movimento Punk
Movimento Anarquista

Contra a intolerância, discriminação e o racismo!!!

violência sofrida
atinge seus corpxs
seu cotidiano e suas subjetividades
uma segunda violência se apresenta

Indiferença

por meio da própria reação gerada pela violência
o descaso e a apatia são modos de acolher a violência
em oposição àquele que foi violentade

Indiferença

vítimas previamente na condição de culpades
opressão interpretada como parte natural da condição de ser
naturaliza-se a cultura do estupro
mas não se enxerga com bons olhos a resistência

Indiferença

Naturaliza-se a condição de desigualdade,
precariedade e escassez
sequer são percebidas como vidas
condicionantes históricos
chaga social que tem dizimado milhões
adoecido tantas outras

Indiferença

by Autonomes

Antisociedad n°0 – 2012 – InfoZine

Mucho se ha hablado de la crisis del anarcopunk y de como esto puede causar su desaparición,
esta tesis, propulsa por aquellos que todavia creen en los cambios estatales i gubernamentales no es cierta, o al menos no es una verdad para mi. Este cambio de pensamineto radica en la negación misma de la sociedad como aparato de control, y portanto, algunxs decidimos olvidamos de la colectividad jeraequizada y empezar ha liberarnos en ambitos personales, individuales.

La sociedad moderna es la causante de la situación actual en la que se vive, los gobiernos no serían posible sin la aceptación de la mayoría; la fortaleza de este aparato no sería la misma si las personas rechazaran esta voragine, si no participaran de ella; sin embargo es posible porque la sociedad civil esta de acuerdo con ellasy asi segirá, entonces, porque direccionar el anarquismo y el punk hacia sociedades que no les interesa en absoluto alcanzar la libertad en pensamiento y em praxis; es por esto que podemos decir que somos antisociedad, incivilizados, antitodo. La sociedad en sus diferentes ambitos, solo refleja un paradigma lleno de orden y autoridad, cualquiera que sea, el refle es el mismo; y el punk como se expresa como la antiteses de esto, la negación del orden por el orden, y del orden para el orden, es asi como rechazamos la idea de anrquismo com maxima expresión de orden, y le damos paso a la creatividad espontanea del pensamiento caotico.

Antisociedad pretende dar a conocer situaciones, articulos y puntos de vista que pongan en evidencia la necesidad del pensamento nihilista y caotico pra alcanzar, al menos, una liberación de pensamiento en primera instancia. No creemos tampoco en la verdad absoluta, pues esto solo es producto del pensamiento cientificista e industrial tradicional (que alcanza el facismo), en cambio, creemos en el pluralismo de ideas y en la necesidad de pensamiento critico para abandonar este imperio social.

El anarco-individualismo como el concepto de lo auténticamente colectivo

Cada uno juzga y será juzgado por las opciones que elige. Por esto frecuentemente promulgamos en nuestros textos el puento de vista anarcoindividualista como una nueva manera de comportamiento y nuevo motivo de acción. Esto no significa que deja de importarnos el dialogo con otra gente y trasmitirles lo que nos llena de orgulho por avanzar, hasta sobre este suelo difícil. Además, con el mismo ardor esperemos y estamos aniertos a cualquier crítica que nos ponga a pensar y nos haga mejores.
Sin embargo, no esperamos la aceptacón social para actuar. No nos conformamos com la espera a unas condiciones “maduras”. Si la sociedad no entiende nuestras ideas, el problemas es suyo.
Además, las decisiones personales y las iniciativas individuales son las que trasforman el cuadro de lavida de cada uno… Al mismo tiempo estamos convencidos que justo lo individual es el comienzo de lo colectivo autentico y verdadeiro. Es a través de la comunicación y cooperación humana que cada uno se descubre a sí mismo y a los que lo rodean. En nuestro deseo de afrontar con hostilidad a esse mundo que nos oprime, colaboramos con unas personalidads libres y autónomas, con aquelles que buscan la vida en toda su inmensidad y no solo en unas dosis mensuales.

*zine/publicação anárquica niilista antisocial individualista de 2012 feito por punks En Malos Aires – Argentina !! en apoyo a Punks de Bolivia, e foi apresentado em atividades de apoio a punks de bolivia durante todo 2012 em Argentina.
34 paginas, tamanho A5
textos sobre:

Sobre la necesidad de destruirlo todo…
No habrará ningun orden, solamente caos
En defensa de la lucha armada
Comunicado de Mairon Mioshiro (Krudo)
Cominicado de Henry Zegarrundo
Sobre los últimos hechos en bolivia. FAI/FRI
bolivia: A lx compañeros insurrectxs
bolivia: incendio de cajeros automaticos
Punk narkia
La sensibilidad individualista
La insurgência de kaos
Mi individualidad punk anarkika
Anarquismo nihilista: una corriente anti-social
Editorial

curiosidade: esse zine é lido de trás pra frente e da pagina da direita pra esquerda (“como nos mangás”)
a versão pra leitura aqui está apenas na leitura dá direita pra esquerda, mas versão pra impressão está da forma de leitura de trás pra frente…

Versão impressão jpg: http://www.publicacionsanarquistes.org/antisociedad/


Human Distressed 4ª edição

Ódio

Existem várias formas de ser,
De pensar e de viver
Mais quando não há liberdade,
Resta ódio.
As pessoas são alienadas
Exploradas, controladas,
Como robôs
Pois quando não há liberdade
Resta ódio.
No coração resta ódio.

“A pior bomba que já jogaram foi a bomba que domina mentes”

Você precisa saber, que pra viver
não precisa ser, escravo do poder.
Você tem que entender
que já deu as mãos e puxaram seus braços.
Você tem que saber, que você precisa lutar.

*zine feito pela mana Mary da rangueria Vegana Zero Bicho https://www.instagram.com/zerobicho/
https://www.facebook.com/zerobicho/
Não sei qual o ano desse zine, mas me lembro que catei com ela esse numero num GIG em Maricá-RJ e que tinham vários punx de outros e$tado$ e catei bastante material nesse dia, e o lugar era muito massa, uma mini praia na beira da Lagoa de agua salgada de Maricá… pena que choveu muito em um dos dias e molhou quase todo material… essa cópia não tá muito boa mas dá pra sacar di boa…
6 paginas, folha A4 dobrada em 3 partes…
poesias sobre ódio, liberdade, alienação, exploração, escravos do poder, loucura, respeito, pensamentos, guerra, vidas…